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Mais Ricardo Dias no Internet Azul.


18.9.07

 
Ando lendo Nelson Rodrigues. O gênio se impõe, basta chegar perto dele e nos contaminamos com as espórulas que pululam de seu suor, e acabamos nos tornando um pouco menos obtusos. Nelson carrega consigo os trovões do apocalipse, nos aponta mil dedos nos condenado por nossas pusilanimidades e pequenas patifarias cotidianas. Também nos faz piores escritores, quando tentamos copiar seu estilo...
Comecei o dia assistindo a um programa da Igreja Universal. O bispinho rouco mostrava, consternado, imagens de um acidente que matou 4 jovens na Barra da Tijuca. Conclui comentando com a assecla que “no entanto, todo domigo há o Culto da Família nas igrejas...”. Não entendi, ou não quis entender. Prestei atenção, podia ser um convite às famílias para irem à igreja e serem consoladas. Só podia ser isso. Mas não. Ele conclui: “-Leve uma peça de roupa de seu filho, de seu ente querido, para nós ungirmos com óleo. Assim, com certeza, na hora em que vier o mal, Deus terá misericórdia e...”. Ou seja: de acordo com o homem de deus (o dele certamente é com minúsculas), se as famílias destas pessoas tivessem ido ao franchising da Universal mais próximo, seus entes queridos estariam vivos. Então, queridos leitores: forremos as carteiras e marchemos à Universal! Conquistemos a imortalidade! Mas pensem bem: interessa ser imortal e passar a eternidade ao lado de um indivíduo como aquele?
E, como semper, Renan. Tenho pena dele: no meio daquela malta se destacou e acabou ficando na berlinda. Ele não é pior que ninguém. Para expulsá-lo, expulsemos todos. Expulsemos inclusive os ditos bons, os ditos honestos, os ditos corretos. Porque estes deveriam ser o Sal da Terra, e de tanto serem civilizados na convivência, perderam o sabor, e agora não servem de nada. A frase padrão dos senadores: Não tenho nada contra ele, vou votar de acordo...
Ora, como não tem nada contra? O cara é pego prevaricando, não explica suas despesas e o colega não tem NADA contra ele? É o fim, sem dúvida. Se o sistema tem que ser esse - e acreditem os que são mais novos, ditadura é MUITO pior, não se iludam - que ao menos seja mais limpinho. Que sejam presos todos os corruptos, todos os que vendem suas convicções, todos os que esquecem do bem comum em função do bem de seus chefes, todos os que fazem tudo que seu mestre mandar... e creio que, todos na balança, Renan não seria sequer o criminoso-mór.
A piada se transforma em realidade: trem-bala no Rio. O trem com otoridades foi baleado na ida e na volta. As ditas nos informam que na ida ficaram sentadas, mas na volta se abaixaram. Sinceramente, não entendi a distinção. Se me baleiam, e graças ao bom Deus isso não ocorre com freqüência, eu me escondo. Não entendi a preocupação dos moços em dar uma de macho - ou meio macho, no caso. Mas o mais genial é a declaração da polícia, dizendo que eram traficantes que “queriam chamar atenção”. Olha, sei não: em nenhum lugar do mundo traficante quer isso. Traficante quer sossego, ficar quietinho no seu canto vendendo seu produto. Houve um ataque, pura e simplesmente. Estamos em guerra, e fingem não perceber. Cada país tem o Chamberlain que merece.
Estava tomando mingau com Nelson Rodrigues enquanto comentava as últimas notícias. Perguntei sobre como ele avaliava o governo, a política...
-Sempre disse que, no Brasil, as coisas não mudariam enquanto as esquerdas não se unissem até “o último ididota”. Pois me enganei: no Brasil nunca houve esquerda, só houve, e sempre haverá, apenas idiotas!

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posted by Ricardo Dias 18.9.07


6.9.07

 
Senhores, mais uma vez este Webdomadario sai na frente e anuncia: descobrimos o problema de nosso Congresso. Quando assisti à defesa apaixonada do senador Almeida Lima ao presidente Renan tive a suspeita. Ao ver a do senador Wellington Salgado, a certeza surgiu como uma epifania: eles não acreditam em Papai do Céu.
É preciso fazer uma distinção: Deus e Papai do Céu não são a mesma pessoa; o sujeito pode ser temente a Deus e isso não fazer a menor diferença, são entidades distintas. como Edson e Pelé. A bem da verdade, há uma exceção, que impede que Deus - com esse nome mesmo - transforme todos em estátuas de sal superfaturado: o Senador Suplicy. Este acredita em Papai do Céu. E reza toda noite, se bem que adormece antes de expor todas as suas reivindicações. Mas tem a secreta certeza de ser ouvido.
Mas mesmo Suplicy não justifica certas atitudes. Nosso socrático Lulla, que leva o “só sei que nada sei” às raias de uma arte, deveria saber que temos filhos. Os nossos, infelizmente, não conseguem patrocínios milionários, mas lêem jornal - ou vêem tv - e ficamos sem saber o que dizer sobre o que acontece por aí. Mas como hoje o sol brilha, vamos divagar um pouco:
A mãe da ex-bbb e atriz Grazi qualquer coisa (não sei soletrar o nome da moça) recebe o bolsa-família! Dá para imaginar o armário da moça: uma bolsa Gucci, uma bolsa Dolce e Gabanna, uma bolsa Prada, uma bolsa-família...
No futebol, há uns poucos anos Ronaldinho Gaúcho, num GreNal, aplica um chapéu no combativo cabeça-de-área colorado. Dunga. Hoje fica no banco. A dublagem e o eletrochoque foram desenvolvidos na Itália fascista de Mussolini, mas também não há qualquer relação entre os fatos.
o Rio, um delegado teria feito uma falsa blitz por diversão, e foi preso. Na delegacia o problema teria sido minimizado pela delegada de plantão, é normal sumir carteira em blitz, coisas assim. Aí descobriram: o blitzista é noivo da delegada. O amor e a justiça são cegos, deve ser isso.
Assito na tv ao comercial da NET. Tenho trauma de publicidade, quando jovem tentei um emprego numa agência e fui humilhado por um gênio que dizia coisas como : “talento (tá lento)? Tá parado.”. Eu sei, é uma idiotice, mas ele guardava esse tipo de frase genial, e me instava a fazer o mesmo, caso as tivesse, para, quem sabe, quando crescesse fosse como ele. E apresentou uma foto do filho recém-nascido como “sua mais nova criação”. Pois bem, esse tipo de gente me deixou com um certo asco da coisa, minorado pelo contato epistolar com certo publicitário mineiro/piauiense (http://www.farinhada.blogspot.com/). Mas esse anúncio me deixa incomodado. A combinação do conceito clube fechado/militar linha dura soviético não me soa muito simpático. Acho constrangedor. E jea que estamos falando sério, vamos à morte de Pavarotti. Engraçado, ele se torna um ícone justamente quando decai. Foi, para mim, a maior voz jamais registrada, mas só ganha nome mundial naqueles patéticos concertos dos 3 Tenores. Dizem que aquilo populariza a música clássica. Tanto quanto a venda de grapette aumenta a venda de vinhos da Borgonha. Mas vai com Deus, obrigado por tudo.
Encontrei Enrico Caruso na estação das barcas. Não resisti e perguntei-lhe se estava ansioso para encontrar o colega Pavarotti. Ele olhou-me de alto a baixo e perguntou:
-Quem?


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posted by Ricardo Dias 6.9.07


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