Webdomadario
archives

Mais Ricardo Dias no Internet Azul.


26.8.07

 
Este Webdomadario andou calado muito tempo. Durante este hiato seu autor dedicou-se a diversas atividades, todas pretensamente lucrativas e todas, como poderia se esperar, terminaram com os burros n’água. Então, à falta de coisa melhor para se fazer, falemos do nosso governo. Dirão vocês - creio que eu mesmo já disse isso antes - que falar do governo é fácil. Como a vida anda MUITO difícil, vamos aproveitar então.
Desde que me ausentei, o que mais chamou a atenção de todos foi o episósio Renan. Clama aos céus a injustiça da situação: como diabos Renan, com aquele phisique de rôle de contínuo de autarquia, conseguiu uma moça de tantos predicados? E, típico de nosso sítio, me pergunto: essa moça, poupada do escândalo, não teria lá seu quinhão? Todos se lembram da santa ingenuidade de Duda Mendonça, nosso desportista galináceo, declarando que teve que abrir uma conta no exterior por ser o único jeito de receber o seu dele rico dinheirinho do PT. Pois. A moça, que certamente teve desvarios de paixão por tão charmoso personagem, pura e ingênua (ex-repórter, e da Globo!), recebia, sem nenhuma suspeita, o dindin que lhe cabia das mãos de um lobista de empreiteira. Agora ainda amealha uns bons caraminguás expondo ao mundo a perseguida, para deleite dos maganões pátrios. Admirável casal.
Admirável também é nosso querido Lulla. Nunca na história desse país se falou tanto “nunca na história desse país”. E nunca na história desse país se viu um congresso - com minúsculas - tão inominável. Agora querem nos convencer que a reforma política tem que sair a qualquer custo. Sabe o leitor que admira este sítio - e são milhões - que não votamos em quem pensamos que votamos. Votamos, na verdade, numa lista pouco clara, numa atitude que, embora dentro da lei, soa claramente anticonstitucional; mais, anticonstitucionalíssima! E anticonstitucionalissimamente falando - ainda que para ser um dos poucos que conseguiu usar esta expressão, conhecida como a maior palavra da língua portuguesa - querem nos impnggir certas verdades. Toda hora um dos probos nos diz: Não há democracia sem partidos fortes! E nós, oprimidos pelo peso de sua sapiência, nos quedamos concordando. Mas aí vem um chato e pergunta: por quê? O que diabos isso significa? Troque para “judiciário” forte e a coisa faz algum sentido. “Partido forte” significa um saco de gatos forte, dirigido por alguns caciques mais fortes ainda, com estes gatos sendo mais que obrigados a fazer tudo que seu mestre mandar. Sim, sou um individualista pequeno-burguês, mas - ou talvez por isto mesmo - me recuso ao “fazeremos todos”. Talvez um dos milhões que me lê esteja pensando agora: mas como é que eu não pensei nisso antess? Não se preocupe, querido/a leitor/a; sou pago para isso mesmo!
Encontrei na Fnac o escritor Monteiro Lobato, que comprava o último Harry Potter. Conversamos sobre amenidades diversas, e não me furtei de perguntar-lhe o que achava de nosso governo. Ele sorriu, e levantando aquelas sobrancelhas portentosas, disse:
-Este governo é laborioso como uma formiga!
Disse, pôs o chapéu, e saiu. Fiquei pasmo, até que me lembrei de outra frase dele:
-Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil.
Ah.
posted by Ricardo Dias 26.8.07


This page is powered by Blogger. Isn't yours?