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Mais Ricardo Dias no Internet Azul.


11.6.09

 
Pessoal, este blog fica, mas as novidades vão acontecer em http://uirapurupariu.blogspot.com

Todos lá!
posted by Ricardo Dias 11.6.09


9.11.07

 
Diversos, diversos...

- O Congresso - perdão, congresso - rejeitou o projeto de legalização da prostituição. Não querem concorrência legalizada.
- No Senado - perdão, senado - foi censurada uma foto de Rogeria onde apareciam os seus dela pelos pubianos. Tem senador com o rabo de fora em tenebrosas transações e ninguém fala nada. Mas convenhamos: uma artista do talento do querido Astolfo merece lugar melhor que ao lado de Fernando Collor et caterva.
- Da série me engana que eu gosto: a imprensa não quer um terceiro mandato, o Congresso não quer, o PT não quer, Lulla não quer... se ninguém quer, por que diabos falamos nisso? Que tal falarmos do primeiro, que até agora não rolou?
- Circula na internet uma carta aberta ao presidente. Sugiro que seja passada para mp3, pois, se formos esperar que nosso amado líder leia alguma coisa...
- Evo Morales é a cara do Zacarias. Mas os trapalhões, infelizmente, estão do lado de cá. Houve incentivos ao uso do gás nos automóveis, redução de IPVA, etc; diversas pessoas, tentando melhorar de vida, abrem empresas, dão empregos, cria-se uma indústria da conversão ao gás. Agora o ministro diz que “não recomenda” novas conversões. Nunca, na história deste país, se viu tanto desrespeito às pessoas, ao ser humano. Não seria o caso destes empresários processarem o incompetente que, em rede nacional, acaba com seus negócios? Mas fiquem todos calmos: Lulla reclama que por causa de um probleminha o pessoal reclama. A previsão deste “probleminha” é um aumento entre 15 e 25% no preço do gás. Os taxistas agradecem.
- Ouço no rádio o programa do PDT. Nele, seu presidente, o ministro Lupi, nos fala bobagens imitando o jeito de falar do sempiterno Leonel Brizola. Imitando, sim, como um bobo. Se o original nunca foi grande coisa, imaginem a cópia. E este tipo de gente é ministro...
- Nosso bravo ministro do Supremo, Marco Aurelio Mello, nos diz que a decisão do TRE do Rio, que impede processados de se candidatar, é inconstitucional. Palmas para o ministro, sempre lépido para defender nossa Carta Magna. Mas gostaria de, respeitosamente, lembrar que a Constituição não prevê perda de mandato por infidelidade partidária, e nem por isso... O caso é que, de fato, a mera existência de um processo não deveria ser motivo de impugnação de candidatura, mas bem que poderia haver uma análise do que está rolando - e, quem sabe, uma agilizada nos processos. Mas isso implica em trabalho, em menos férias, coisa impertinente de se sugerir.
- Nosso bravo vice, José de Alencar, nos avisa das vantagens de um diagnóstico precoce para casos de saúde graves como o seu. Concordamos, e aproveitamos para pedir a nosso vice-líder que nos empreste seu plano de saúde, pois se formos ao SUS, com a agilidade habitual, o exame vai acabr saindo depois da necropsia.
- No Ceará uma galinha pôs um ovo gigante, de mais de 200 g. Citando Sergio Porto, em notícia semelhante, parece que a galinha bateu dois recordes: de tamanho de ovo e por ter sido a primeira galinha a falar: quando o pôs, disse, de forma audível, “ai”.
- Ainda da série perguntar não ofende: Pede-se uma cpi das ONGs. Não creio que vá dar em nada, mas não foi uma ONG que sustentou nosso amado Lulla nos anos antes da presidência?
- O senador Tião Vianna, PT, anda sendo bem falado como presidente interino do senado. Mas é sempre bom lembrar que foi ele a nefanda figura que entrou no Supremo para impedir uma testemunha de falar numa CPI, num caso que afronta a independência do Senado que ele ora preside. Memória curta, a dos políticos e a da imprensa.
- O Congresso - perdão, congresso - tem um calaboca de 15 mil reais por mês - QUINZE MIL REAIS, quase um salário mínimo, de verba contra nota; ou seja, se o excelência apresentar nota fiscal até este valor, nós pagamos sem bufar. Mas, como se anda exigindo um pouco mais de transparência, resolveu-se divulgar os gastos. Deu-se a melódia. Protestos, gritas, alguns até aceitam parar de receber o pixulé - mas desde que se aumente os seus salarinhos. Por enquanto a gente acha graça, temos simpatia atávica, afinal fomos colonizados por ladrões e degenerados diversos, mas sei não, chega a hora que vão perceber que eles nos estão mandando comer brioches...

Encontrei na fila do posto de gasolina nosso campeão de salto triplo, Ademar Ferreira da Silva. Perguntei-lhe como um campeoníssimo como ele, que superou todas as dificuldades para brilhar, via um episódio como o da nadadora Rebecca Gusmão, flagrada no anti-doping. Ele, com a calma dos justos, respondeu:
–Dizem, não sei se é verdade, que o pessoal do comitê organizador desconfiou do excesso de testosterona quando, no teste, ela fez xixi de pé.

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posted by Ricardo Dias 9.11.07


13.10.07

 
Aqueles que admiram estas bem-traçadas - e são milhões! - já perceberam que por aqui não se foge de assuntos espinhosos. De um modo geral ficamos ao lado dos poderosos, dos ricos, dos bem nascidos, e, se alguém vier oferecer um agradinho, melhor ainda. Este site está antenado com a modernidade, e se continuar assim, breve disputará vaga no senado da república - sim, em minúsculas. Mas há questões espinhosíssimas. Por conta de alguns pés rapados, o Supremo - por enquanto, em maiúsculas - resolve que o mandato pertence ao partido. Nosso sistema eleitoral é engraçado: você vota no Zé da Silva. Vê o cartaz dele, ouve o discurso dele, acredita nele, e sem saber, vota no partido dele, eventualmente elegendo o João das Couves, que você não conhece, não ouviu as mentiras nem viu o cartaz. Excrescência maior é supor que este tipo de medida seja bom para a democracia, pois não há democracia sem partidos fortes. Repito e trepito: não há democracia sem judiciário forte. Partidos são um saco de gatos dominados por um gato-mestre, que usualmente vê seus melhores interesses antes de qualquer outro. É claro que há negociação de vagas, que partidos compram deputados, etc e etc. Mas os partidos que compram as vagas não são punidos; só os comprados. Então fortaleçamos os partidos; fortaleçamos o PMDB que retirou do comitê os senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos, pois estes não rezam pela cartilha de Renan. Partido forte serve é para isso. Mas os mini canalhas, que gostam de vender sua vaguinha, não se preocupem. Basta argüir a constitucionalidade da medida que ganham seu mandato de volta, mode poderem continuar defendendo o povo. Povo lá de casa, mas povo. A Constituição lista as hipóteses de perda de mandato, e infidelidade partidária não está ali. Se bem que também diz que o salário mínimo deve ser capaz de sustantar uma família, e... deixa.
Mas tem mais, tem mais. O senador Wellington Salgado, junto com o intelectual Almeida Lima campeão da defesa de Renan, está sendo investigado por, no dizer de Chico Buarque, tenebrosas transações. Noblat nos informou há tempos que a sua dele do senador mãe teria sido financiadora da campanha ao senado de Helio Costa. Este, ministríssimo, abriu vaga para o suplente: o filho da senhora Salgado, o bom cabelo Wellington. Mas isso não incomoda o supremo (em minúsculas, sem dúvida). E há dois dias Renan subiu à Tribuna para dizer que afastou o assessor acusado de espionagem, para facilitar as investigações; se for inocente, volta. Ó stupôire, não é exatamente isso que dizem para o bom Renan fazer?????
Como gostei do parágrafo anterior, deixei-o aí como estava. Mas não pude deixar de me surpreender com o pedido de licença do bom Renan. Que moço indeciso! Passa o tempo todo sendo um Dom Pedro de fancaria dizendo que fica; não mais que de repente, vai. Não se pode confiar em mais ninguém, mesmo...
Pensam que acabou? Um amigo, meritíssimo de muito mérito, me envia a notícia: uma juiza cancelou o pagamento da pensão à família de Lamarca. Situação delicada, o moço matou. Houve anistia para tudo, inclusive crimes de sangue - o que deixou muito torturador solto. Mas daí a premiar, por exemplo, com promoção (como no caso) a distância me parece grande. O Clube Militar protestou e a juíza deferiu. Palmas para a juíza, mas não vejo o Clube protestar quando criminosos como o capitão que ia colocando uma bomba no Riocentro são promovidos - o unabomber tupiniquim hoje é coronel. Mesmo porque o criminoso em questão nem minimamente competente foi, a traquitana explodiu antes da hora. Anistia, vá lá, mas promoção jamais! Falando nisso, Lulla recebe pensão por ter passado uns dias em cana. É grana boa. Fico pensando se todos os que recebem penas injustas recebem uma graninha semelhante. As famílias dos 111 presos assassinados no Carandirú recebem? Ok, só perguntei.
E, por fim, temos Guevara! Andam reinventando o sujeito. Tive uma infância difícil: lia o Pasquim e Seleções. Vivia num dilema ideológico complexo, mas essa dicotomia (se aplica aqui o termo?) gerou conseqüências, como por exemplo: nunca tive heróis, muito menos dos que saem dando tiros. Como li Winnetou (que recomendo veementemente), em filme de cowboy torcia pelos índios. Acho Fidel um ditador, pura e simplesmente (como Getúlio, Pinochet, Stalin...), e esta qualificação me impede de considerá-lo um estadista: é ditador, o resto não interessa. Sempre achei Guevara uma figura meio sociopata, que vivia buscando confusão. Liberdade? Não sei, ele defendia uma visão meio stalinista das coisas, que não condiz com liberdade. Sempre achei que ele gostava mesmo era de um fordúncio, queria motivo para sair atirando por aí. Jamais saberemos, mas repito: nunca o vi como um herói. Prefiro Gandhi, Luther King, gente bobinha assim.
Encontrei Paulo Autran na chapelaria da esquina. Ele estava experimentando um modelo novo, quase não o reconheci. Num momento, era um senhor de 85 anos; noutro, um rei; em seguida, um caixeiro viajante, depois um pão duro, depois... Pensei em puxar conversa, perguntar qualquer coisa, mas não consegui. Me limitei a olhar, quieto, e a tentar apreender um pouco da vida com alguém cujo ofício, e não o confundam com um reles senador, era mentir. Ele virou-se e saiu, calmo, digno, e nada mais pude fazer, a não ser aplaudir até as mãos doerem.

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posted by Ricardo Dias 13.10.07


18.9.07

 
Ando lendo Nelson Rodrigues. O gênio se impõe, basta chegar perto dele e nos contaminamos com as espórulas que pululam de seu suor, e acabamos nos tornando um pouco menos obtusos. Nelson carrega consigo os trovões do apocalipse, nos aponta mil dedos nos condenado por nossas pusilanimidades e pequenas patifarias cotidianas. Também nos faz piores escritores, quando tentamos copiar seu estilo...
Comecei o dia assistindo a um programa da Igreja Universal. O bispinho rouco mostrava, consternado, imagens de um acidente que matou 4 jovens na Barra da Tijuca. Conclui comentando com a assecla que “no entanto, todo domigo há o Culto da Família nas igrejas...”. Não entendi, ou não quis entender. Prestei atenção, podia ser um convite às famílias para irem à igreja e serem consoladas. Só podia ser isso. Mas não. Ele conclui: “-Leve uma peça de roupa de seu filho, de seu ente querido, para nós ungirmos com óleo. Assim, com certeza, na hora em que vier o mal, Deus terá misericórdia e...”. Ou seja: de acordo com o homem de deus (o dele certamente é com minúsculas), se as famílias destas pessoas tivessem ido ao franchising da Universal mais próximo, seus entes queridos estariam vivos. Então, queridos leitores: forremos as carteiras e marchemos à Universal! Conquistemos a imortalidade! Mas pensem bem: interessa ser imortal e passar a eternidade ao lado de um indivíduo como aquele?
E, como semper, Renan. Tenho pena dele: no meio daquela malta se destacou e acabou ficando na berlinda. Ele não é pior que ninguém. Para expulsá-lo, expulsemos todos. Expulsemos inclusive os ditos bons, os ditos honestos, os ditos corretos. Porque estes deveriam ser o Sal da Terra, e de tanto serem civilizados na convivência, perderam o sabor, e agora não servem de nada. A frase padrão dos senadores: Não tenho nada contra ele, vou votar de acordo...
Ora, como não tem nada contra? O cara é pego prevaricando, não explica suas despesas e o colega não tem NADA contra ele? É o fim, sem dúvida. Se o sistema tem que ser esse - e acreditem os que são mais novos, ditadura é MUITO pior, não se iludam - que ao menos seja mais limpinho. Que sejam presos todos os corruptos, todos os que vendem suas convicções, todos os que esquecem do bem comum em função do bem de seus chefes, todos os que fazem tudo que seu mestre mandar... e creio que, todos na balança, Renan não seria sequer o criminoso-mór.
A piada se transforma em realidade: trem-bala no Rio. O trem com otoridades foi baleado na ida e na volta. As ditas nos informam que na ida ficaram sentadas, mas na volta se abaixaram. Sinceramente, não entendi a distinção. Se me baleiam, e graças ao bom Deus isso não ocorre com freqüência, eu me escondo. Não entendi a preocupação dos moços em dar uma de macho - ou meio macho, no caso. Mas o mais genial é a declaração da polícia, dizendo que eram traficantes que “queriam chamar atenção”. Olha, sei não: em nenhum lugar do mundo traficante quer isso. Traficante quer sossego, ficar quietinho no seu canto vendendo seu produto. Houve um ataque, pura e simplesmente. Estamos em guerra, e fingem não perceber. Cada país tem o Chamberlain que merece.
Estava tomando mingau com Nelson Rodrigues enquanto comentava as últimas notícias. Perguntei sobre como ele avaliava o governo, a política...
-Sempre disse que, no Brasil, as coisas não mudariam enquanto as esquerdas não se unissem até “o último ididota”. Pois me enganei: no Brasil nunca houve esquerda, só houve, e sempre haverá, apenas idiotas!

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posted by Ricardo Dias 18.9.07


6.9.07

 
Senhores, mais uma vez este Webdomadario sai na frente e anuncia: descobrimos o problema de nosso Congresso. Quando assisti à defesa apaixonada do senador Almeida Lima ao presidente Renan tive a suspeita. Ao ver a do senador Wellington Salgado, a certeza surgiu como uma epifania: eles não acreditam em Papai do Céu.
É preciso fazer uma distinção: Deus e Papai do Céu não são a mesma pessoa; o sujeito pode ser temente a Deus e isso não fazer a menor diferença, são entidades distintas. como Edson e Pelé. A bem da verdade, há uma exceção, que impede que Deus - com esse nome mesmo - transforme todos em estátuas de sal superfaturado: o Senador Suplicy. Este acredita em Papai do Céu. E reza toda noite, se bem que adormece antes de expor todas as suas reivindicações. Mas tem a secreta certeza de ser ouvido.
Mas mesmo Suplicy não justifica certas atitudes. Nosso socrático Lulla, que leva o “só sei que nada sei” às raias de uma arte, deveria saber que temos filhos. Os nossos, infelizmente, não conseguem patrocínios milionários, mas lêem jornal - ou vêem tv - e ficamos sem saber o que dizer sobre o que acontece por aí. Mas como hoje o sol brilha, vamos divagar um pouco:
A mãe da ex-bbb e atriz Grazi qualquer coisa (não sei soletrar o nome da moça) recebe o bolsa-família! Dá para imaginar o armário da moça: uma bolsa Gucci, uma bolsa Dolce e Gabanna, uma bolsa Prada, uma bolsa-família...
No futebol, há uns poucos anos Ronaldinho Gaúcho, num GreNal, aplica um chapéu no combativo cabeça-de-área colorado. Dunga. Hoje fica no banco. A dublagem e o eletrochoque foram desenvolvidos na Itália fascista de Mussolini, mas também não há qualquer relação entre os fatos.
o Rio, um delegado teria feito uma falsa blitz por diversão, e foi preso. Na delegacia o problema teria sido minimizado pela delegada de plantão, é normal sumir carteira em blitz, coisas assim. Aí descobriram: o blitzista é noivo da delegada. O amor e a justiça são cegos, deve ser isso.
Assito na tv ao comercial da NET. Tenho trauma de publicidade, quando jovem tentei um emprego numa agência e fui humilhado por um gênio que dizia coisas como : “talento (tá lento)? Tá parado.”. Eu sei, é uma idiotice, mas ele guardava esse tipo de frase genial, e me instava a fazer o mesmo, caso as tivesse, para, quem sabe, quando crescesse fosse como ele. E apresentou uma foto do filho recém-nascido como “sua mais nova criação”. Pois bem, esse tipo de gente me deixou com um certo asco da coisa, minorado pelo contato epistolar com certo publicitário mineiro/piauiense (http://www.farinhada.blogspot.com/). Mas esse anúncio me deixa incomodado. A combinação do conceito clube fechado/militar linha dura soviético não me soa muito simpático. Acho constrangedor. E jea que estamos falando sério, vamos à morte de Pavarotti. Engraçado, ele se torna um ícone justamente quando decai. Foi, para mim, a maior voz jamais registrada, mas só ganha nome mundial naqueles patéticos concertos dos 3 Tenores. Dizem que aquilo populariza a música clássica. Tanto quanto a venda de grapette aumenta a venda de vinhos da Borgonha. Mas vai com Deus, obrigado por tudo.
Encontrei Enrico Caruso na estação das barcas. Não resisti e perguntei-lhe se estava ansioso para encontrar o colega Pavarotti. Ele olhou-me de alto a baixo e perguntou:
-Quem?


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posted by Ricardo Dias 6.9.07


26.8.07

 
Este Webdomadario andou calado muito tempo. Durante este hiato seu autor dedicou-se a diversas atividades, todas pretensamente lucrativas e todas, como poderia se esperar, terminaram com os burros n’água. Então, à falta de coisa melhor para se fazer, falemos do nosso governo. Dirão vocês - creio que eu mesmo já disse isso antes - que falar do governo é fácil. Como a vida anda MUITO difícil, vamos aproveitar então.
Desde que me ausentei, o que mais chamou a atenção de todos foi o episósio Renan. Clama aos céus a injustiça da situação: como diabos Renan, com aquele phisique de rôle de contínuo de autarquia, conseguiu uma moça de tantos predicados? E, típico de nosso sítio, me pergunto: essa moça, poupada do escândalo, não teria lá seu quinhão? Todos se lembram da santa ingenuidade de Duda Mendonça, nosso desportista galináceo, declarando que teve que abrir uma conta no exterior por ser o único jeito de receber o seu dele rico dinheirinho do PT. Pois. A moça, que certamente teve desvarios de paixão por tão charmoso personagem, pura e ingênua (ex-repórter, e da Globo!), recebia, sem nenhuma suspeita, o dindin que lhe cabia das mãos de um lobista de empreiteira. Agora ainda amealha uns bons caraminguás expondo ao mundo a perseguida, para deleite dos maganões pátrios. Admirável casal.
Admirável também é nosso querido Lulla. Nunca na história desse país se falou tanto “nunca na história desse país”. E nunca na história desse país se viu um congresso - com minúsculas - tão inominável. Agora querem nos convencer que a reforma política tem que sair a qualquer custo. Sabe o leitor que admira este sítio - e são milhões - que não votamos em quem pensamos que votamos. Votamos, na verdade, numa lista pouco clara, numa atitude que, embora dentro da lei, soa claramente anticonstitucional; mais, anticonstitucionalíssima! E anticonstitucionalissimamente falando - ainda que para ser um dos poucos que conseguiu usar esta expressão, conhecida como a maior palavra da língua portuguesa - querem nos impnggir certas verdades. Toda hora um dos probos nos diz: Não há democracia sem partidos fortes! E nós, oprimidos pelo peso de sua sapiência, nos quedamos concordando. Mas aí vem um chato e pergunta: por quê? O que diabos isso significa? Troque para “judiciário” forte e a coisa faz algum sentido. “Partido forte” significa um saco de gatos forte, dirigido por alguns caciques mais fortes ainda, com estes gatos sendo mais que obrigados a fazer tudo que seu mestre mandar. Sim, sou um individualista pequeno-burguês, mas - ou talvez por isto mesmo - me recuso ao “fazeremos todos”. Talvez um dos milhões que me lê esteja pensando agora: mas como é que eu não pensei nisso antess? Não se preocupe, querido/a leitor/a; sou pago para isso mesmo!
Encontrei na Fnac o escritor Monteiro Lobato, que comprava o último Harry Potter. Conversamos sobre amenidades diversas, e não me furtei de perguntar-lhe o que achava de nosso governo. Ele sorriu, e levantando aquelas sobrancelhas portentosas, disse:
-Este governo é laborioso como uma formiga!
Disse, pôs o chapéu, e saiu. Fiquei pasmo, até que me lembrei de outra frase dele:
-Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil.
Ah.
posted by Ricardo Dias 26.8.07


28.3.07

 
Senhoras e senhores:
venho por meio destas bem-traçadas desculpar-me, urbi et orbi, de todas as coisas que disse do governo Lulla. Acabo de dar uma vista d’olhos nas notícias mais recentes, e vejo que a ministra da não-sei-o-quê Racial diz que negro pode sim discriminar branco. O vice-presidente Alencar diz que não há discriminação racial no Brasil, só “muitos preconceitos”. Refizeram as contas do PIB, chegaram à conclusão que nosso PIB não era tão ruim, afinal, era apenas pífio, mas erraram por alguns bilhões de reais. Num país onde a Previdência está falida e o trabalho escasso, troca-se os ministros das pastas.
Leiam de novo, por favor. São apenas 3 tópicos, entre centenas semelhantes. Agora reflitam comigo: dá para falar mal? Eles não têm culpa, são assim mesmo, nasceram assim. Acefalia é incurável, não pode nem deve ser confundida com mera burrice, desonestidade ou má-fé. Mas aviso que repelirei todas as insinuações que o governo esteja querendo instituir o bolsa-bandido (para quem não sabe, um dinheirinho mensal para as famílias dos menores infratores) para depois estender o benefício às famílias dos maiores infratores, beneficiando assim os deputados e senadores! Não admitirei esse tipo de coisa aqui! Tanto é que com o aumento que receberam estes 50 reais não fazem diferença, praticamente todos vão abdicar do benefício...
Mas nem tudo é dor no país: há também desespero e terror. Não se pode sair às ruas, cada dia é pior que o anterior. Já virou tema de conversa:
-‘Cê viu o que aconteceu ontem? Mataram 50!
-Vi. Bons tempos aqueles, hein?
E Collor voltou. Agora é aliado de Lulla, parece que pretende fazer algum tipo de pós-graduação, não entendi bem. Afinal, houvesse mensalão no seu tempo e nada teria acontecido, certamente seria reeleito e hoje seria credor da admiração de todos os brasileiros esclarecidos. Bons tempos aqueles, em que um Fiat baratinho dava impeachment. Hoje nem com Land Rover!
Fui jantar numa leiteria do centro e encontrei Machado de Assis, pedindo uma quentinha para mimar sua Carolina. Enquanto esperava perguntei-lhe o que achava do que seu colega imortal João Ubaldo havia dito, tendo chamado Lulla de “pelego” em crônica dominical.
-Acho inapropriado, inapropriadíssimo até. Em pelego se pisa, e isso decididamente não pode ser feito com este governo, sob pena de se sujar os pés.

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posted by Ricardo Dias 28.3.07


23.3.07

 
- Ando melhorando. Minha depressão crônica anda abalada por manhãs douradas; se meu coração ainda não repousa sob o céu de Paris, tampouco continua sob o habitual fog londrino. E isso me permitiu ler sem inveja as crônicas diárias de Fausto Wolff no Jornal do Brasil. Ok, com pouca inveja. O cara, que acompanho desde o Pasquim, está no auge da forma. É incrível, até quando escreve sobre algo que discordo, me levanto e aplaudo. Um monstro. E, curioso, continua coerente com o que dizia nos anos 70, 80, 90... Franklin Martins, ex-guerrilheiro e crítico constante do governo Lulla, agora é encarregado da Comunicação Social deste mesmo governo. Fausto, você aceitava?
- Recebi outro dia um arquivo Powerpoint - vocês sabem o que é, um programa feito para criar mensagens que nos dizem que Jesus nos ama. Este era dos bons, falava d’O Segredo. Resumindo, a física quântica – sempre ela – nos informa que fótons, uma parte muito miudinha da luz, tem comportamento anômalo: quando acham que ela é uma onda, pumba: ela se comporta como tal; se acham que ela é uma partícula a menina não se faz de rogada e age como se fosse uma. Pois a partir disso uns sujeitos bem intencionados nos informam que qualquer coisa que quisermos, de ganhar na loteria a ter um bigulim maior, pode ser conseguido desde que o desejemos. Simples assim, este é o segredo das pessoas de sucesso. Resolvi seguir o conselho e desejo que nunca mais me mandem Powerpoints como este. Provável que consiga, para acreditar nisso tem que ter um cérebro menor que um fóton, posso influenciar, estou certo disto.
- Leio no jornal que ecologistas querem matar um urso polar muito mimado. Ecologistas? Esse bicho parece ser insuportável, deve ter sido criado pela avó.
- Drama na educação brasileira: alunos de um curso noturno tinham aula num banheiro! O governo, rápido, acabou com o problema: fechou o banheiro. É sério.
- O nosso ex-presidente Lulla diz que o ministro é um abnegado, por ganhar míseros 7, 8 mil reais. Sei não, por imbecilidades como esta compuseram uma canção, mais ou menos assim:
Allons enfants de la Patrie...
- Estou com medo. Fui contra, como minha legião de leitores deve lembrar (“legião” é nome perfeito para meus leitores. Enfim...), da realização dos jogos pan-americanos aqui no Rio, como sou contra olimpíadas, Copa do Mundo, convenção de ginecologistas, qualquer coisa na cidade. Amo o Rio, e morro de vergonha quando vejo turistas por aqui. Sabe quando chega visita e a casa está uma bagunça? É isso, está uma bagunça e tem gente atirando.
- Estava tomando um café quando derrubei o guarda-chuva do dr Sobral Pinto. Emocionei-me, e não resisti à puxada:
-Salve, dr Sobral, reserva moral deste país!
Ele devia estar meio mal-humorado, pois resmungou:
-Reserva moral! É isso que é este país! Moral, só na reserva; titular é essa corja que estamos vendo!

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posted by Ricardo Dias 23.3.07


17.3.07

 
Recebi milhares (1) de mails reclamando do tratamento dispensado ao nosso ex-presidente Lulla. Reclama, com uma certa razão, que não se deve debochar da ignorância alheia. A questão, caro missivista, é que há casos e casos. Se o rapaz que te serve no botequim fala uma bobagem, basta usar o critério Lulla de seriedade ministerial para ver que ele foi vítima do ministro da educação, que não o alfabetizou, e dos ministros da Fazenda e Planejamento, que o obrigaram a trabalhar num subemprego mode sobreviver. No caso de nosso túrgido líder, ele nasceu, como a mãe, analfabeto, e teve sérias dificuldades ao longo da vida. Então, quando o líder sindical Lula esbravejava barbarismos no microfone, nenhum problema. A questão é que após a Constituinte nosso querido amigo teve 10 anos para aprender português. 10 anos em que foi sustentado pelo PT, por uma ONG e alguns seletíssimos amigos. Aprendeu a apreciar um bom charuto, um bom vinho, aprendeu até a negociar princípios, mas não se deu ao trabalho de aprender a usar o plural.
Já que estou ao computador, aproveito: acabo de ler que o futuro ex-ministro da Agricultura é acusado de usar “laranjas”. Nada mais apropriado!
Encontrei o costureiro Denner numa manifestação contra a violência homofóbica. Perguntei-lhe o que achava de seu colega Clodovil Hernandez, agora deputado, estar sendo processado pelo STF por crime ambiental. Ele abriu um largo sorriso, e disse:
-Acho ótimo. Mais uns dois ou três processos e ele pode até virar ministro, vai ser um luxoooo!!!!!

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posted by Ricardo Dias 17.3.07

 
Ai ai ai... é só a gente dar uma sumida que Lulla volta a aprontar. Agora ele vem com essa pérola: Educação e Saúde não pode partidarizar, pois são coisa séria. Se errar na Saúde, o sujeito morre; se errar na Educação, o sujeito fica analfabeto. Mesmo nosso presidente sendo o mais bem acabado exemplo de como o segundo caso é verdadeiro, me parece que ao dizer isso ele afirma que os outros ministérios não passam de moeda de troca ou brincadeirinha, incluindo aí Justiça e Fazenda. Isso de fato tem se notado facilmente, especialmente ao vermos que só ganhamos em crescimento do Haiti. E, em termos de justiça, como diria o pranteado Paulo Francis: Weeellll...
Mas nem tudo está perdido: o futuro talvez ex ministro da Agricultura responde a um processo no STF, mas tranqüiliza a nação ao dizer que “Tem certeza” que é inocente. Algum psicanalista na platéia? Essa construção verbal me parece um tantinho estranha, p’ra não dizer suspeita. Mas como não conheço os hábitos vocabulares do nobre parlamentar, dou o crédito. Afinal todo mundo é inocente até prova em contrário. Mas não, está errado! Um juiz amigo me explica que isso não existe no Brasil. Todo mundo é inocente até o processo ter sido julgado definitivamente, o tal “transitado em Julgado” do juridiquês. Ora, isso é ser MUITO inocente! Por este critério, se você é filmado estrangulando seu vizinho, chupando o seu dele sangue com um canudinho e mostrando seu RG para a câmera, acredite: é inocente, puro e límpido como uma criança recém-batizada. Dizem que isso é culpa da Constituição, feita por gente que sofreu arbítrio na época da ditadura e resolveu deixar um monte de portas abertas para possíveis fugas futuras. Ou seja, ditadura é ruim até quando é combatida.
Encontrei o poeta Manuel Bandeira tomando um sorvete de creme. Seu fã, não resistii a questionar umas tantas coisas, inclusive sua potencialmente suspeita amizade com o Rei de Pasárgada.
-Ah, meu filho, este era amigo mesmo. Mas tinha juizo, me dava moça bonita para namorar, alcalóide, telefone, mas um ministério, por exemplo, nem pensar! Era amigo, não idiota.

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posted by Ricardo Dias 17.3.07


10.7.06

 
Bem amigos do Webdomadario: Copa do Mundo!

-Parreira e Zagallo não me surpreenderam. Como pode constatar quem lê este sítio freqüentemente, acho-os uma praga de gafanhotos do futebol brasileiro, sua existência nos atrasa com táticas covardes. Sem contar a deselegância de Parreira, que ao comentar a morte de Telê aproveitou para chamar aquela seleção de “desequilibrada”.

-Blatter quer aumentar o tamanho dos gols. Não há necessidade, mais barato fuzilar os técnicos.

-Quem quiser um bom presente de natal, a sugestão: o livro “Formando Equipes Vencedoras”. de Carlos Alberto Parreira. Curiosidade histórica: antes do final da Copa de 58, o técnico da Suécia também lançou um livro, chamado “Professor de Futebol”. Pelo menos a seleção dele chegou à final.

-E o Fantástico corrigiu uma injustiça histórica; quando todos queriam o fígado de Roberto Carlos em holocausto, ele nos prova por a + b que não teve culpa, a sua dele posição em campo na hora do gol fatídico foi pré-determinada por Parreira, como provam os trechos exibidos de outros jogos. E este grande líder declarou que não sabia o que RC estava fazendo ali. Ah, a coragem dos Grandes!

-Zidane empata a contagem de esquisitices em finais e tem sua própria convulsão em campo, dando uma chifrada no italiano. Qualquer um que já tenha jogado uma pelada sabe que o que beque faz é tentar desestabilizar o atacante, da forma que puder. Cotoveladas, alfinetadas, cuspe, dedo no olho, vale tudo. Xingar mãe é beabá, não afeta mais ninguém. Zagueiros de todo o mundo estão querendo saber qual foi a mágica empregada pelo colega italiano. Seja o que for que ele disse, deve ter sido verdade!

-Felipão cotado, Luxemburgo cotado. Cada um a seu jeito, boas opções. Paulo Autuori também, mas aí eu corto os pulsos.

-Passamos a copa inteira ouvindo falar em conspirações da Nike. Bem, se existe, a comissão técnica dos conspiradores deve ser igual à nossa, pois a final foi disputada entre a Adidas (França) e a Puma (Italia). A Nike pegou um quarto lugar com Portugal, a Alemanha foi de Adidas.
-Algum psiquiatra poderia me esclarecer: a demora de Parreira em fazer alterações, em tomar decisões óbvias significa algo? Uma pessoa chamar para resolver um jogo um jogador (Adriano) que não havia jogado nada antes, deixando no banco outro (Robinho) que estava voando baixo? Uma explicação (a sério!!!) talvez seja a famosa lingüinha de Parreira. Aquele movimento meio gagá de ficar mexendo a língua é característico de quem toma certos remédios tarja preta. Mas não, delírio meu: maluquice não explica burrice.

-Falando em psiquiatras encontrei a Dra Nise da Silveira no supermercado. Aproveitei a chance para perguntar se a criatividade está associada à loucura de alguma forma:
-Talvez esteja, meu filho; mas se assim for esta seleção é a mais sadia da história!

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posted by Ricardo Dias 10.7.06


6.6.06

 
Se o ex-presidente Lulla fosse dado a escrever diários, hoje talvez escrevesse que nada aconteceu de novo. Repetiria assim seu antecessor famoso, Luiz XVI, que no dia da Queda da Bastilha escreveu em seu diário o citado. Hoje, com a invasão da Câmara pelos dissidentes do MST, temos uma alegoria do 14 de Julho. Temos os sans cullottes (meu Deus, é com dois “T”s, dois “L”s, ou o quê?) invadindo um símbolo do poder (na bastilha parece que só havia um preso, um degenerado preso por dívidas, enquanto no Congresso deveria haver algumas dezenas), mas as semelhanças teminam aí. Os famintos franceses eram movidos pela fome, enquanto a fome dos atuais invasores é cuidadosamente guiada pelos líderes destes movimentos. Os governos sempre passaram a mão na cabeça desta praga de gafanhotos chamada MST, permitindo que estes movimentos crescessem à margem da lei. O honrado Stédile, por exemplo, foi apoiar Evo Morales! A imbecilidade é atrativa, os idiotas se agrupam como que por instinto, num comensalismo em que os poucos neurônios são compartilhados em prol da demagogia.
No meio destes invasores, com certeza há pessoas que passam fome, pessoas que ganham (como visto no Programa do Jô de ontem) 2 reais por TONELADA de cana cortada. E vêem canalhas que roubam milhões saírem impunes. Ora, é um prato cheio para os líderes, interessados em que a zona impere, mode terem também sua chance de pegar seu dinheirinho. Ou alguém acha que estão preocupados com algo além disso? Mas as coisas podem ficar divertidas a partir de agora; enquanto os bons sem-terra estavam invadindo apenas terras, coisa distante da engravatada Brasília, nenhum problema. Agora, porém, os nobres deputados sentiram na pele o que é ter sua integridade ameaçada por uma turba que, repito, é faminta sim, mas por isso mesmo manobrada com mais facilidade que um carro com direção hidráulica.
Fiquei preocupadíssimo, e fui consultar Heródoto, meu historiador preferido. Ele cofiava as barbas, e me esclareceu as coisas com facilidade:
- É assim que o mundo roda. Desta malta pode surgir um novo Evo, da reação um novo Pinochet, da reação a este um novo Fidel, daí um novo Médici, daí um Lula que... bem, acaba num Lula, mesmo.
posted by Ricardo Dias 6.6.06


26.5.06

 
Espero, sinceramente, que ninguém tome decisões baseado no que lê aqui. Escrevo sempre, analiso tudo, mas confesso, compungido, que não entendo nada, nunca. Tenho um amigo que só entendeu dois filmes até hoje: “Isto é Pelé” e “Garrincha, Alegria do Povo”. Dos demais, ele vê que tem um cara, tem uma mulher, eles conversam, aí aparece outra pessoa, e pronto: já não entende mais nada, ou dorme ou sai do cinema. Eu me sinto assim diante do noticiário. Me sinto sempre, mas ultimamente...
Vejamos: advogados do crime organizado lavam dinheiro, ganham fortunas. Pois o advogado acusado de pegar uma gravação (que, parece, não serviu para nada), foi de São Paulo a Brasília com dinheiro contadinho, não tinha nem para o cafezinho – fosse o real ou o eufemístico. Isso é que é demonstrar cabalmente que o crime não compensa! Pois ele respondeu, na CPI, a um deputado que foi afastado de outra CPI por se envolver em falsificação de documentos, a outra que está sendo investigada no escândalo das ambulâncias, e sabe Deus a quantos que absolveram mensaleiros! Para culminar, hoje foi esculhambado pelo refinado deputado Faria de Sá, que disse “O senhor aprende rápido com a malandragem”. O advogado, homem carnívoro, respondeu na lata: “A gente aprende muito aqui”. Foi preso para deixar de ser besta: se tivesse aprendido mesmo no Congresso JAMAIS seria preso...
Mas as coisas boas do Brasil não cansam de me surpreender: a outra advogada – advogada do chefão do PCC – é casada com um delegado. Já estava pedindo meus sais, ou no mínimo água de flor de laranjeira quando, não mais que de repente, estoura a maior de todas, uma notícia que poderia restabelecer minha sanidade: Pedro Simon candidato a presidente! Confesso, meu coração se encheu de júbilo. Agora sim, um candidato comprometido com a correção, a honestidade, a dignidade! Agora sim! Tremei, corruptos, tremei, canalhas! Até que enfim teríamos um candidato de verdade, e com chances! Já estava passando a ferro minha bandeira do MDB, ia pintar um P na frente – aquela era do tempo em que o partido era a única voz contra a Arena, partido do governo militar. Aí veio a notícia: o seu dele vice era nada mais, nada menos, que Garotinho. Tenho medo de olhar para trás e virar estátua de sal.
Passei o dia deambulando, mastigando um jiló. Ou seria giló? Que diferença isso faz, no fim das contas? Que diferença qualquer coisa faz? Encontrei um velhinho de túnica e sandálias, que me exortou a manter o prumo. Disse se chamar Cephas, mas eu podia chamá-lo de Simão Pedro. Contou que assitira ao Sermão da Montanha, e citou Jesus, tentando me animar:
- Vós sois o sal da terra, e se o sal for insípido, com que se há de salgar?
Olhei-o, não sem certa piedade, e ponderei:
-Com sal superfaturado, importado da Bolívia, com cocaína, com açúcar dizendo ser sal, pó de giz, qualquer coisa que pareça sal. Ninguém sabe a diferença mesmo, todo mundo engole qualquer coisa!

Se qualquer candidato quiser comprar sub-repticiamente este espaço, é só me procurar, agora me corrompo facinho, facinho. Garanto sigilo, ou não, afinal vivemos no Brasil, o risco é seu, é nosso, é de quem vier. Mas, se ainda assim quiser ser avisado de updates, mande um mail para webdomadario2, seguido da simpática arroba, seguido de pobox.com. Seu endereço não será utilizado para outros fins nem visualizado pelos demais assinantes. Ou não, é tudo uma questão de preço.
posted by Ricardo Dias 26.5.06


17.5.06

 
Estou me sentindo um correspondente de guerra. Não é que, em plena guerra civil PCC X SP, vim me meter justamente no olho do furacão? Estou na aprazível e progressista Presidente Prudente, interior de São Paulo, cercada de presídios, entre os quais o que hospedou o simpático Beira-Mar. Aqui travei contato – pela imprensa! Pela imprensa! – com o senhor Marcola, porta-voz da facção criminosa, de quem, confesso, jamais tinha ouvido falar. Agora sei que ele é o verdadeiro senhor da guerra, homem que detém o poder de paralisar a maior cidade da América do Sul a um estalar de dedos – transmitido por celular.
Aqui ficou tudo tranqüilo, no domingo não havia um guarda sequer na rua. No dia seguinte havia às toneladas, e perguntei a um deles que tipo de instrução haviam recebido da Secretaria de Segurança.
-Nenhuma, então o pessoal resolveu se mandar para proteger suas famílias. Hoje mobilizaram todos, a única ordem foi a de circular pela cidade.
Para quem cresceu assistindo a Kojak, SWAT, programas assim, a coisa é surrealista. E, no meio do caos total, em entrevista o governador Cláudio Lembo, com aquela cara de professor do Harry Potter, nos informa que está tudo sob controle, e que não precisa de ajuda. A antiga direita (a atual está no poder) pede sangue, execuções sumárias, e, segundo o excelente Blog do Noblat, conseguiu. Morreram 75 pessoas nas mãos da polícia. A maior parte pretos e pobres, como convém. Estavam todos em atitude suspeita, alguns, pasmem, andando pelas ruas. Houve um caso de um rapaz que foi morto, aparentemente sem motivo, mas encontraram armas na casa vizinha. Tudo explicado. Noutro caso, a mãe e o irmão de um traficante foram fuzilados sumariamente. Não houve nenhum erro, afinal, a polícia sabe reconhecer de longe quem é ou não criminoso.
É claro que se entende o nervosismo da polícia. A frieza com que os ataques foram deflagrados é de embrulhar o estômago mais forte, toda a solidariedade à polícia, mas isso não justifica saírem mandando bala por aí. Um ou outro acidente, causado pelo nervosismo, é compreensível e perdoável, mas 75 mortos é um número que fala por si.
O maior caos urbano que se tem notícia em tempos de paz, sem ter sido causado por algum desastre natural ou incêndio. A maior cidade do país parada, libertada apenas por ter havido, segundo dizem por aqui, negociações entre o governo e os bandidos. Tudo negado pelas autoridades, claro, mas existe a piada antiga, que pergunta como sabemos se um político está mentindo.
-É simples, basta observar se seus lábios estão se mexendo.
Aproveitando estar em São Paulo, fui ao encontro do ex-governador Mario Covas para conversar sobre a situação.
- O saldo disso tudo é extremamente positivo. Descobrimos que pelo menos uma instituição no país tem um líder de verdade.
posted by Ricardo Dias 17.5.06


11.5.06

 
Quem foi que disse que Deus é brasileiro?
Que existe ordem e progresso,
Enquanto a zona corre solta no congresso?
Quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha?
(“Zé Ninguém”, Biquini Cavadão)

Estou neste momento assistindo à entrevista de emprego de Silvio Pereira, o Corrupto Maluquinho, na CPI. De emprego, sim, pois o tal depoimento que ele esqueceu do conteúdo nada mais foi que um lembrete ao PT: Olha, amiguinhos, não esqueçam que eu sei de tudo, e sou maluco. E ando precisando de um dinheirinho...
O senador Tião Vianna, zeloso que é que as coisas corram na plenitude democrática, certificou-se do teor do que viria a ser dito, e em pouco tempo pôde sossegar: seu correligionário não ia resvalar, ia cumprir a sua dele parte, e ter uma leve amnésia. Faz jus, portanto, às benesses que certamente virão. Não seria o caso da PF acompanhar o patrimônio do moço?
Mas os senadores da “oposição” me preocupam. Esbravejam, brandem suas fúrias mas não mandam prender o depoente, por exemplo; ameaçam mas não levam adiante uma cpi que detalhe o “governo” Lulla; máfia da saúde, máfia do mensalão, máfia do bingo, máfia dos combustíveis, máfia das ongs, incúria na política exterior, debilidade mental (afinal, quer fazer um gasoduto cuja chave ficaria com o impoluto Chavez!!!) e, pasmemos: não há motivo para se investigar o governo. Na CPI, diante das câmeras, espumam a ira cívica santa; depois, nos gabinetes, trocam tapinhas nas costas e, imagino, comparam alegremente suas atuações:
-Ih, maluco, você ficou vermelho, até!
-Podiscrê, foi maneiríssimo!
Há exceções, imagino; o senador Suplicy, por exemplo: todos o têm, no mínimo, na conta de excêntrico. Ele abre a boca e todos tremem; PT, oposição...
-Gostaria de saber do senhor depoente, malgrado qualquer opinião pessoal em desacordo com o exposto e pautado na mais absoluta tranqüilidade, que se coloque...
(-Fica calma, ele não vai escorregar.)
(-Sei lá, ele foi contra, é perigoso.)
-...sem que se pense por um só minuto que eu duvide de sua integridade, de sua honra ou mesmo de sua capacidade...
(-Não tem perigo, no ritmo que vai não dá para ele falar nada.)
-...tendo inclusive ouvido dizer que em reuniões internas de meu partido...
-QUESTÃO DE ORDEM! QUESTÃO DE ORDEM!
Encontrei o escritor Mario Puzo, autor de O Poderoso Chefão e diversos livros sobre o mesmo tema buquinando na Letras do Leblon. Perguntei-lhe se colhia material para algum livro por aqui, já que máfia é o que não nos falta. Ele desconversou, olhou para um lado e para o outro, e saiu rápido, sussurranso:
-De jeito nenhum, o pessoal aqui é muito perigoso!

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E essa agora? Chavez e Chapolin, quero dizer, Morales, se unem para esculhambar Lulla. Gozação cara, mas que tiraremos de letra. Perdoamos dívida boliviana, e agora eles querem aumentar 61% do preço do gás do qual somos dependentes. Mas peraí, não somos auto-suficientes? Ou entendi errado, temos é auto-suficiência no ego, não nos combustíveis? E, mais legal, Lulla quer construir um gasoduto que vem da Venezuela até aqui, e, com a ponderação e bom-senso habituais, compara a obra à Grande Muralha da China. Talvez seja apropriada a comparação, a China foi invadida com muralha e tudo, já que quem vai ficar com a chave do gasoduto é o impoluto Chavez. É mais ou menos como ser chifrado pelo melhor amigo e convidá-lo para ser padrinho do seu segundo casamento. E os bolivianos jogam sujo, já viram a foto do ministro deles? negociar com aquele cara deve ser assustador, deve dar pesadelo com aquele bocão. Aliás, eles têm ministro dos Hidrocarbonetos! Coisa chique, terão um sub-ministro para os Anéis de Benzeno, um assessor para as Hidroxilas? Sim, porque Radicais Livres lá há aos montes...
E a traição do presidente boliviano foi feia. Ele prometeu em campanha que faria isso, daí a indignação do ex-presidente Lulla: onde já se viu cumprir promessa de campanha? E agora Morales, com seu cabelinho de Playmobil, vai à Áustria dizer que nossos contratos são ilegais, e nosso Lullita Sem Noção deve chegar lá rindo, achando tudo muito engraçadinho, somos todos hermanos. Afinal, eles têm todo o direito, são uma nação soberana, podem rasgar os contratos que quiserem. Por esta lógica, nós somos o quê, já que pagamos religiosamente ao FMI et caterva?
Encontrei, escondido na rua, Luis Carlos Prestes. Parece que ele havia conspirado contra São Pedro, estava incógnito por aqui. Perguntei-lhe o que ele achava deste imbroglio todo. Ele se encrespou visivelmente.
-Eu sempre sonhei com o dia em que as esquerdas latino-americanas se uniriam para combater a direita reacionária. O companheiro Morales já começou o processo, combatendo o Lula!

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posted by Ricardo Dias 11.5.06


2.5.06

 
Estou, neste momento, ainda sob o impacto de ver o nosso ex-presidente Lulla fazer seu famoso número Joselito Sem-Noção. Durante algum tempo era até engraçadinho, dava uma certa pena. Lulla sempre teve fama de simplório, a gente achava que os assessores malvados o estavam enganando, um dia ele acordaria e veria o que estavam fazendo com ele, e, pior, o que ele estava fazendo conosco. Nesse dia, a nação agradecida o levaria nos ombros, em direção aos sonhos que sempre nos vendeu. Mas, ao vê-lo falando, achei apenas patético. Não o achei um canalha que mentia de forma deliberada, um criminoso cúmplice do bando que ora nos assalta, ou alguém que apenas quer se reeleger. Estava ali uma pessoa que ninguém sabe quem é, que talvez nem ela própria saiba mais, uma pessoa capaz de dizer que o Bolsa-Família funciona, capaz de dizer que o emprego aumentou, que a distribuição de renda melhorou! Humilde, confessa que ainda falta alguma coisinha aqui, outra acolá a ser realizada no Brasil, mas pela descrição que faz de seu próprio governo, é coisa para mais uns 15 minutos e pronto...
E não esqueçamos da auto-suficiência em petróleo! Até que ficou plástica a cena em que ele imita Getúlio. O que se esquece é que o bom Vargas foi um ditador, que era chamado de pai dos pobres – e mãe das elites. E falando em petróleo, um dos grandes amigos de Lulla acaba de dar-lhe um belo pé, estatizando o dito. Ou seja: o que muitos brasileiros sonham contra os imperialistas estrangeiros, quem fez foi o fazendeiro boliviano, e justo contra os imperialistas tupiniquins! Bem, a gente não vive dizendo que “O Petróleo É Nosso”? Pois é, eles, pelo visto, têm a estranha idéia que o deles é deles mesmo. Anti-imperialismo no dos outros é refresco.
Mas nem tudo está perdido: Garotinho faz greve de fome pela moralidade na política! O bom Bolinha resolveu fazer um spa particular. Já perdeu 700 g, e neste ritmo e com a boa forma que ostenta, faltam só uns 4 meses para Itamar disputar sozinho. Isso me preocupa: como viveremos sem sua liderança serena, seu pulso firme, seu exemplo de cristão ilibado? E, já que ele sempre prega que a mulher deve obedecer ao homem, quem governará Rosinha? E repilo firmemente todas as insinuações que ele receberá, força do hábito, comida “por fora”. Isso é coisa que não admito, insinuações assim serão sempre repudiadas por este sítio!
Por estas e por outras fui relaxar, jogando tênis com Telê Santana. Entre um ace e outro perguntei-lho como ele via a atuação da tropa de choque deste governo. Tirou da boca o palitinho que mascava, coçou a cabeça, e perguntou:
-Lembra do Anselmo?
-Quem?
-Um jogador do Flamengo, que numa partida da Libertadores foi colocado no campo exclusivamente para dar uma bordoada no adversário.
-E o que isso tem a ver?
-Tem a ver que ele, que até levava jeito, nunca mais se firmou no futebol. Apesar de ter obedecido ordens de cima, do técnico do time.
-E?
-E acho que esse pessoal, Ideli, Tião Vianna, Angela Guadagnin, devia pensar muito nisso.
Coitado do Telê, sempre um romântico. Esqueceu da tropa de choque do Collor, estava toda aí de volta. Ren... melhor esquecer.


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posted by Ricardo Dias 2.5.06


24.4.06

 
Ah, o governo Garotinha! Quem pensa que já viu tudo… nossa Exma Gova nomeou, para a pasta da Cultura, o grande sambista Noca da Portela. Muita gente torceu o nariz, e confesso, do alto de minha sapiência, que achei preconceito; só porque o cara é sambista? Vamos dar um crédito para ver o que acontece! E, incrível que pareça, de cara o grande pisou (feio!) na bola. Demitiu Edino Krieger e Valéria Peixoto do Museu da Imagem e do Som. E, pior, teria sido pelos jornais, e numa espécie de nepotismo fúnebre, teria nomeado para os cargos netos de Donga e Cartola. O distinto que me lê talvez não saiba quem é Edino Krieger. Pois trata-se de um dos principais compositores eruditos em atividade no mundo. Só isso. E que em sua gestão, com a citada Dra Valéria, houve um trabalho de conservação de acervo poucas vezes visto. O ponto não é estas pessoas precisarem do MIS; é o MIS precisar, e muito, delas. O maestro GIlson Peranzetta iniciou um abaixo-assinado via mail que reproduzo abaixo. Quem quiser assiná-lo mande um mail para este Webdomadario que reenviarei o mesmo para ser assinado e distribuído. A cada vez que se atingir o 100º subscritor, o mail deverá ser devolvido ao Gilson e encaminhado para o local devido. Só não coloco estes endereços aqui para preservar minimamente uma lista tão importante da sanha dos imbecis dos spammers. Obrigado a todos.
Segue texto de GIlson Peranzetta:

Sra. Governadora Rosinha Garotinho,

Em nome dos músicos, artistas, escritores e intelectuais desta cidade, nós, pessoas e instituições abaixo-assinadas, vimos, através da presente, repudiar a inaceitável demissão de Edino Krieger e Valéria Peixoto no Museu da Imagem e do Som, onde estavam prestes a encerrar uma brilhante e profícua gestão, tendo seu presidente, inclusive, só tomado conhecimento de sua exoneração através da imprensa.

Todos sabemos que a Cultura, em nosso país, além de desprezada pelo Estado, é usada como moeda política. Mas existem limites, os quais não podem ser ultrapassados sem danos reais à vida institucional e aos esforços realizados para a construção de nossa civilização e identidade.

A demissão do Presidente do MIS representa não só uma afronta à pessoa deste grande e reconhecido músico brasileiro, Edino Krieger, mas sobretudo às nossas instituições, cuja estabilidade demanda continuidade e manutenção do que foi construído, como condição de sua existência, e prosperidade. Elas não podem ficar reféns do voluntarismo político e de políticas provisórias e clientelistas: ao contrário, precisam ter seus requisitos básicos de funcionamento assegurados pelo próprio governo.

Não existem argumentos aceitáveis para a demissão de uma gestão competente e altamente produtiva em final de trabalho. O Sr. Noca da Portela, malgrado os limites de sua formação musical, é um músico que, ao ser convidado para o exercício de um mandato-tampão e temporário, não se envergonha de inicia-la com a demissão, sumária e sem razões consistentes, de um outro músico, só que com a envergadura de Edino Krieger, numa demonstração agressiva e explícita de falta de respeito e conduta ética.

Com uma ação devastadora e repulsiva deste porte, o Sr. Noca da Portela reduz-nos à uma república de bananas do tamanho de um Haiti. Com uma canetada, presta-se ao desmonte predatório de um trabalho sério e consequente, cujos esforços foram responsáveis, em menos de três anos, por inúmeras realizações, entre elas a recuperação de 20 mil partituras do antigo acervo da Rádio Nacional, com arranjos de músicos da estatura de Guerra-Peixe, Radamés Gnattali e tantos outros. Foram digitalizados centenas de discos de acetato em estado de literal decomposição, sendo que em vários deles a agulha entrou pela última vez - justamente a que garantiu o resgate do áudio. Imaginem que, entre estes, incluem-se vários discursos de Getúlio Vargas, além de outros inúmeros documentos de vital importância para a história de nosso país. E isto sem falar da recuperação física da sede do Museu, na Lapa.

Devemos lembrar-lhe que foi a Senhora quem rogou, através do então Secretário de Cultura Arnaldo Niskier, para que o Mo. Krieger assumisse paralela e temporariamente a direção da Sala Cecília Meireles no momento em que o antigo diretor Ronaldo Miranda foi levado a pedir demissão, deixando a imagem da Secretaria bastante comprometida.

Governadora, a imagem e a credibilidade de nossas instituições dependem diretamente das autoridades que a dirigem e, por isso, pedimos que a Senhora reveja esta iniciativa que já denigre a sua gestão. Depois de uma ação dessas, quem vai confiar em receber um convite do Governo para atuar ou dirigir uma importante instituição, à exceção dos laranjas e oportunistas? Ora, mesmo mudando os políticos e a política no Palácio Guanabara, ficaremos sempre desconfiados de tudo e de todos. Não pode ser assim, já que sem confiança não se constrói nada!

Sem mais, caberia apenas dizer que a Cultura prevê, como consequência natural aos que à ela estão ligados, educação, ética e bons costumes. E o que aconteceu neste caso foi muito mais do que falta de educação. Então, por favor, reconheça a gravidade e as conseqüências do ocorrido e tome as medidas cabíveis para o encerramento normal da gestão do Mo Krieger à frente do MIS, onde precisa levar a termo os projetos em final de implementação.
posted by Ricardo Dias 24.4.06


22.4.06

 
Bem, atendendo a milhares de pedidos (2), ei-lo de volta: o “Diversos”!

- Não entendo esta preocupação com a Varig, se o administrador ideal está debaixo de nossos narizes: o filho de Lulla! Se com uma empresa que ninguém sabe bem o que faz ele conseguiu 15 milhões de investimento, imaginem o que não conseguiria para uma empresa como a Varig…

- Sou honrado com o recebimento (que não requisitei) de boletim do Senador Almeida Lima. É leitura interessante para quem gosta de platitudes. Pois agora este meu correspondente entra com pedido de CPI contra Lulla. Já garantiu a reeleição. Só não sei se a dele ou a de Lulla.

- Aliás, o PSDB e o PMDB continuam lutando para reeleger Lulla. Vão acabar conseguindo.

- O senador Roberto Freire parece que tem alguma disposição para impichar Lulla, mas não parece receber muito apoio. Dizem que o momento não é oportuno. Momento oportuno!
-Atenção, viatura 45; dirija-se à Rua Tal nº tal; o acusado de cometer 13 assassinatos, 22 estupros e 65 assaltos está desarmado, dopado e amarrado no local.
-Central, viatura na escuta. Não podemos realizar a operação, copiou?
-Positivo, viatura 45; qual o motivo da negativa?
-O momento não é oportuno, positivo okapa operante.

- Caso eu faça um puxadinho aqui em casa pensei em convidar o presidente Lulla para a inauguração; o problema é que é uma obra nova, ouvi dizer que ele só inaugura obra já feita; sei lá o porquê, vai ver que ele é cuidadoso, gosta de saber primeiro se funciona; aí, uns anos depois ele vai e inaugura. Como diria algum deputado, deve de ser isso.

- Nosso ex-presidente Lulla declara que adoraria viajar numa nave espacial. Se é por falta de adeus…

- Falando em espaço, o governo pagou US$10 milhões para o simpático coronel Pontes passear no espaço sideral. Parece que ele plantou um feijãozinho num algodão por lá; o frutinho (se nascer) ao menos irá para o Fome Zero?

- O ministro da Justiça é um esteta da forma verbal, do tipo que dá nó em pingo d’água e pinta pum de verde. No depoimento à Câmara, ele demonstra cabalmente que o governo, na verdade, protegeu o caseiro Francenildo quando descobriu que ele mesmo, o governo, violou a sua dele privacidade; e mais, que foi graças a este governo que Pallocci foi demitido por ter usado este mesmo governo para cometer seu crime… Collor deve estar morrendo de raiva de não tê-lo contratado na época. Era capaz de ter sido reeleito, como aliás… deixa p’ra lá.

- Morreu Telê. Acho graça ver a imprensa incensando-o, quando pedia-lhe a cabeça após as copas “perdidas”. Teimoso era o mínimo que diziam dele. Os títulos com o São Paulo o redimiram, mas me pergunto se, tivesse ganho a copa de 82, o futebol não teria sido poupado da mediocridade das copas seguintes, com um jogo pavoroso que em nada lembra o Brasil. E me pergunto o que ele faria com um time como o atual. Imagino algo em torne de 6 a 7 atacantes - talvez perdêssemos a copa, mas o futebol ganharia mais uma lenda, e é disso que vive o esporte. Aliás, é disso que vive o mundo. Morreu Telê, vida longa a Telê!

- Nas diversas CPIs é interessante acompanhar o deputado Jamil Murad; ele não fala duas frases sem falar das elites que não vêem as maravilhosas realizações do governo Lulla. Dei tratos à bola querendo saber que diabos de elites seriam estas, até que descobri: a elite intelectual. É só ter QI positivo que não dá para admirar este governo.

- Encontrei o ex deputado José Maria Alckmin numa queijaria na Muda. Aproveitando que lera no imperdível Noblat (www.noblat.com.br) a bela frase de seu conterrâneo Tancredo:
- Enquanto houver, neste país, um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa.
perguntei-lhe o que achava dela.
Ele deu um sorriso matreiro e disse:
-Ainda bem que ele não precisou fazê-la ser cumprida; imagine o que não diria o PT!


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posted by Ricardo Dias 22.4.06


19.4.06

 
Resolvi falar um pouco de história. É sempre bom colocar uma certa perspectiva nas coisas…
Minha geração é, talvez, a mais frustrada de todas. Quem nos antecedeu lutou contra uma ditadura, enquanto nós, no máximo, fizemos panelaços contra as medidas de exceção em Brasília ou invadimos reitorias. As moças bonitas nada queriam conosco; queriam alguém mais velho, que tivesse enfrentado, se não a tortura, pelo menos tomado alguns cachações da polícia. E cicatrizes ajudavam! O sujeito tinha extraído um quisto sebáceo das costas:
-Que cicatriz é essa?
-Prefiro não falar sobre isso…
Cama.
Depois de nós, este tipo de questão virou um ponto na aula de história, e não dos mais importantes. Mas, há uns poucos anos, um Fiat Elba e um motorista conseguiram mobilizar as massas, atrair multidões às ruas para impicharmos um presidente. Hoje, temos Land Rovers, caseiros, corrupção demonstrada pelo ministério público, mensalão, e o que a juventude faz? Nada. O que falta?
Falta “Anos Rebeldes”. Na época de Collor, a Globo exibia a minissérie que mostrava uma geração que entre uma ida ao Cine Paissandu e um banana split tentou derrubar uma ditadura. Por conta disso, rapazes espinhudos pintaram as bochechas com lápis de sobrancelha da mãe, mataram a aula de química e foram corajosamente às ruas derrubar o moço malvado que ora nos roubava. Quantas virgindades foram perdidas maqueles momentos heróicos, quantas equimoses por tropeçarem uns nos outros… sim, pois a polícia não estava nem aí; diferente dos anos 60, quando o pau comia, nesta época violência do Estado praticamente não havia. Collor, bem ou mal, após ser pego respeitou as regras, e saiu pacificamente, com a dignidade possível. Que se saiba, não quebrou sigilo de ninguém.
Era interessante ver o PT espumando de indignação cívica. Guardião da moral pátria, pedia impeachment de tudo e todos. Ninguém levava muito a sério, mas todos gostavam que ele existisse: o PT gritava por nós. Todos roubavam. O PT, jamais. Não elegeu Tancredo, não assinou a Constituição. FHC se uniu, pecado dos pecados, ao PFL. O PT lançou um brado retumbante, e o chamou traidor. Sabotou todas as votações, pois não qeueria compactuar com a venda do país, não admitia o neoliberalismo. A população, enfim, apreendeu a mensagem, e resolveu tirar da cristaleira o grande Lula, aquela voz rouca que primeiro lutou pelos trabalhadores contra a ditadura. Ninguém se perguntou de onde vinham os ternos e os charutos daquele agora senhor bem mais cheinho, que não trabalhava há uns bons dez anos. Ele era quem acabaria com a iniqüidade, quem redimiria os pobres desta terra. Afinal, ele mesmo o fora um dia, filho de mãe “que nasceu analfabeta”. Ninguém mais agüentava esse tal de neoliberalismo, que ninguém sabia bem o que era mas estava acabando com os empregos. E pagamento da dívida, que vergonha, com gente morrendo de fome. E os ganhos dos bancos, e… era hora de dar um basta. Que viesse Lula, que viesse José Dirceu, homem que lutou contra a ditadura, que viesse Genoíno, que viesse Heloísa Helena, símbolo maior do ser petista, que viesse a honestidade, a probidade. Que fossem malucos, estávamos preparados para lutar contra o FMI, contra o mundo, se necessário. Era a hora de acabar com a fome, cerraríamos fileiras com Lula.
Bem, deu no que deu. Mas a atual oposição cumpriu seu papel: disse que não era oportuno se pensar em impeachment, e escolheu Alckmin para disputar com Lula.
Fui perguntar a Augusto Frederico Schmidt, poeta, político e arguto homem de negócios o que ele achava disso tudo. Acariciando seu galo branco, ele me disse apenas:
-Luis Inacio disse que no Congresso havia 300 picaretas; talvez nem fossem tantos, mas com isso diminuiu a importância de cada um para anos depois comprar o lote todo mais barato.


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posted by Ricardo Dias 19.4.06


12.4.06

 
Explicação Necessária
Alguns amigos me escreveram e/ou telefonaram a respeito do novo programa da Globo, o excelente “Minha Nada Mole Vida”. Acharam semelhanças entre o seu dele argumento e a crônica que encima meu outro blog, http://www.internetazul.blogspot.com/, escrita há muitos anos e repostada naquele site – segundo o Blogger – em Novembro de 2005. Alguns, mais carnívoros, já queriam marchar sobre o Projac brandindo acusações de plágio, outros se propunham a liderar um boicote à Globo, coisas assim. Então, para acalmar esta multidão de dois ou três amigos resolvi colocar este pequeno comentário, pois se há semelhanças entre os textos – e as há – também há diferenças, e muitas. Idéias são como passarinhos, estão voando por aí, são de quem pegar. E dado o talento de quem escreve aquele programa, convenhamos, é uma heresia sequer imaginar que eles possam se utilizar deste tipo de expediente.
Obrigado a todos, mas nada a ver.
posted by Ricardo Dias 12.4.06


11.4.06

 
O Brasil parou, estupefato e consternado, ao assistir ao Fantástico de domingo próximo passado, como diziam nossos antepassados: nele, um advogado instruía sua cliente, a doce Suzane Richthofen, a mentir. Um advogado, e dizendo mentiras! E pior, leio agora no Blog do Noblat que o senador Demóstenes Torres acha que o ministro da Justiça, também advogado, teria feito coisa semelhante!!!!! O chão se me falta aos pés. Mas, analisando bem, o Supremo (composto, adivinhem só, por advogados) tem alegremente distribuído autorizações para depoentes mentirem na CPI. Será que está em vigor algum lei ou jurisprudência que torna a mentira obrigatória? O tema é rico:
George Washington, o Pai da Pátria, ficou famoso não só pela independência dos EUA, mas por ser homem que não mente. Quando garoto, cortou a macieira do pai e não negou, assumiu. Lincoln também sempre foi citado como exemplo de probidade, nunda disse mentira nenhuma – e era advogado, também! Uma das teses que tentam explicar a queda de Nixon diz que ele foi impixado não por ter espionado o adversário, mas por ter mentido. A tradição era tão arraigada que havia um departamento na Casa Branca destinado a responder cartas de pais que pediam que o presidente admoestasse os filhos, fosse por não querer comer os cereais, fosse por mentir. O departamento mandava então uma carta assinada pelo presidente para o infrator, pedindo que ele parasse já com o que quer que estivesse fazendo de errado. Acho que se fizermos isso aqui, se mandarmos uma carta para o Planalto contando que nosso filho anda mentindo muito, periga receber de volta uma ficha de filiação ao PT.
Algumas pessoas éticas do Congresso se espantam por conta da má vontade do povo para com os congressistas. Acham injusto serem misturados aos maus, acham que há gente que trabalha duro por lá. Lamento, cavalheiros, mas acabam sendo todos farinha do mesmo saco. E querem sê-lo; o senador Tião Vianna, por exemplo; fez algo extraordinário, impetrou mandado de segurança contra sua própria comissão. Fez algo ilegal? Não. Mas foi uma das coisas mais vergonhosas da história não pouco vergonhosa do Congresso. No dia do mandado, todo mundo lhe torceu o nariz. Sentou sozinho no refeitório, botaram tachinha na sua cadeira, parece até que lhe pregaram um rabinho com durex. Outros, mais radicais, teriam feito chifrinho quando ele era fotografado. No dia seguinte, porém, já era “nobre colega” de novo, recebia tapinhas nas costas, alguns senadores vieram mesmo com o dedo estendido para trocar de bem com ele. E isso vale para todos os pizzaiolos do Congresso. E ainda reclamam da nobre deputada Angela Guadagnin. Ora, num local em que todos escondem seus sentimentos, daqui mandamos nossos parabéns à excelentíssima, que não esconde seus gostos: é a favor do caixa dois e do mensalão, assumidamente. Daqui, nosso parabéns.
Por fim, para marcar nossa retomada, nosso querido Lulla. Quem diria! Em pouco mais de 3 anos conseguiu acabar com uma imagem de mais de 20! Se JK fez 50 anos em 5, Lulla destruiu 20 anos em 3. E destruiu junto boa parte do Brasil. Não sei quanto tempo será necessário para reconstruir a agropecuária, por exemplo; mas a parte esclarecida da nação brindará, com Romanée Conti, a excelente fase que ele deu aos bancos, sem contar o excepcional pagamento da dívida com o FMI. Esse dinheiro daria para, por exemplo, irrigar de verdade o nordeste, mas convenhamos que isso é bobagem; o nordestino é antes de tudo um forte, ia virar um mariquinha, todo hidratadinho.
Encontrei na porta de uma Loja Maçonica George Savalla Gomes, o Carequinha. Dei-lhe um abraço que esperava dar desde que me entendia por gente, e perguntei-lhe o que havia de errado: afinal, desde 1951 ele pregava toda sorte de valores na tv. Então, quem tinha até uns 10 anos nesta época hoje tem 65; daí p’ra cá, todos de alguma forma ouviram alguma música do Grande careca. O que teria acontecido?
-Ô rapaz, você lembra que eu sempre dizia que o bom menino não faz pipi na cama, não bate na irmazinha, não mente, não rouba, etc?
-Lembro.
-E no final, eu sempre perguntava: “Tá certo ou não tá!?”?
-Lembro.
-Pois sempre tinha uns que diziam que não. Eram esses!!!!!!
posted by Ricardo Dias 11.4.06


18.11.05

 
O Programa do Jô foi especialmente instrutivo. Foi lembrado que o deputado Ibrahim Abi Ackel, relator da recentemente falecida CPI do Mensalão foi o cocoroca (saudade do Stanislaw!) que proibiu o filme Je Vous Salue Marie, de Godard, quando ministro da Justiça. Havia me esquecido, e olhe que esquecer um censor é difícil, este tipo de pessoa é dos mais deletérios que infestam a raça humana. Mereciam ter suas fotos estampadas em caixas de leite e agências dos correios. Pois bem, à época foi divulgado que o filho do ministro - de 15 anos de idade - assistia ao filme sempre que queria, em sessões privativas no ministério. Pois não é que a censura, nessa caso, estava correta? O rapaz, por exposto a princípios anti-cristãos, cresceu e virou político. E recebeu dinheiro do valerioduto. Aliás, papai também.
Mas o melhor da semana foi a desembargadora que, ao definir seu voto favorável à elegibilidade da Sra Garotinho, disse que os R$ 380.000,00 desviados para programas sociais eleitoreiros são quase nada, comparados à corrupção reinante no país. Ou seja: reduziu nossa governadora a uma ladra de galinhas, que desviou merrequinha! Daqui aproveitamos para mandar nossos parabéns a tão esclarecida magistrada, que criou jurisprudência dando um teto ao que é ou não crime no país. Até este valor, metamos a mão!
Mas tem mais: o presidente do Conselho de ética (com minúsculas mesmo) assinou e depois desassinou o requerimento prorrogando a CPI dos Correios. Segundo o excelente Blog do Noblat por conta de um acordo de bastidores o Senador Delubio (quosque tu, Delubio?) não deixou uma importante testemunha depor. Isso no dia seguinte ao nosso empregado, o ex-presidente Lulla, ter dito que queria apurar tudo. Ainda falando em ética, o nosso empregado frita em azeite extravirgem, talvez superfaturado, o ministro Pallocci. Que este cidadão merece, não há dúvida, mas vir do próprio chefe, o mandatário supremo da nação, é um exemplo dos melhores. A cara deste governo, diga-se.
É incrível o estômago dos políticos; falaram da buchada de bode que FHC comeu, e ninguém se espanta do que Pallocci anda engolindo. Não seria o caso de pedir o boné? Dignidade, s.f. Qualidade moral que infunde respeito, nos conta o Houaiss. Tirando meia dúzia, na Câmara e no Senado, alguém por lá tem esta página em seu dicionário pessoal?
Este sítio não costuma falar sério, mas é preciso abrir uma exceção para o Senador Suplicy. Enquanto todos se digladiam para aparecer nos holofotes, fazem perguntas bombásticas, ele pergunta. Observem nas CPIs: ele não acusa, ele pergunta. Não levanta o dedo contra ninguém, apenas segue fazendo seu trabalho: perguntar. Ele batalha o bom combate, apaga incêndios com tampinhas de pasta de dente, e não para nunca. E que ninguém se iluda: já o vi sendo chamado de ingênuo, e isso ele não é. Ele sabe MUITO bem o que faz, trata-se de uma opção pessoal. Que o eleitorado de São Paulo não se esqueça disso e aproveite a exceção que tem em mãos. Como dissse uma das comentaristas do Programa do Jô, Diógenes ficaria satisfeito, teria encontrado e poderia sair do barril. Se o PT em suas prévias tivesse percebido isto, o país poderia estar mais longe da miséria financeira, social e moral em que se encontra. E sua luta pelo projeto de renda mínima é infinitamente superior a esta demagogia do Fome Zero.
Encontrei São Francisco de Assis na aula de aeróbica. Conversamos, e inevitavelmente o assunto caiu na política. Perguntei-lhe se, já que ele tinha o hábito de chamar tudo e todos de irmão, como irmão fogo, irmão Sol, irmã Lua, irmão vento, não seria o caso de chamar de irmã Corrupção.
-No momento, neste país, não, meu irmão; aqui ela ganhou status de mãe.

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posted by Ricardo Dias 18.11.05


4.11.05

 
Às vezes eu me sinto meio assim como o Lula, e resolvo não trabalhar. Fiquei pouco mais de dois meses sem escrever neste site, enquanto nosso empregado não faz nada há uns três anos, mas que seja.
Aconteceu tanta coisa que não dá para saber por onde começar. Vejamos...
O senador Arthur Virgílio ameaçou bater no presidente, o deputado Aceminho aproveitou para fazer patota e bater também. São os pitboys do Congresso. O primeiro foi no embalo e deu uma bronca na senadora Srsç Srenøcvgfhstds (ou Srenøcvgfhstdis, não sei bem) do PT, que fazia muxoxinhos enquanto ele ameaçava ensopapar o mandatário supremo da nação. Talvez pelo deputado Sandro Mabel ter sido absolvido; ouviram que ao invés de acabar em pizza, ia acabar em bolacha, e levaram ao pé da letra.
Mas o presidente não se abalou: mandou que colocássemos o otimismo no vaso sanitário e puxássemos a descarga. Se ele faz isso, com certeza se limpa com os votos que lhe demos. E podemos comemorar: o PIB nacional é o terceiro pior da nossa gloriosa história. Acho que dá para fazer uma ilação, pois parece que o Banco do Brasil financiava o Valerioduto; com a Petrobrás patrocinando o Flamengo, temos dois sorvedouros de dinheiro que bem podem explicar parte disso. Os grampos florescem em Brasília, vindos do grampeador sabe-se lá de quem. E cada vez aparece mais dinheiro de origem duvidosa…
Quando a gente lembra que muitos guerrilheiros das décadas de 60/70 não queriam o restabelecimento da democracia – queriam uma ditadura do proletariado, desde que, claro, os proletários-mór fossem eles mesmos – não dá para se espantar com o que o PT tentou armar por aqui. Lei da Imprensa, Lei da Mordaça, desarmamento, cortejar o FMI e o mercado internacional… tudo levava a crer que estava havendo a criação de uma base para um golpe, que fosse simpático à matriz e que os mantivesse no poder por muitos e muitos anos. Nossa sorte é que eles são muito burros. Trapaceiros trapalhões, incompetentes até para roubar, deveriam ser varridos para o lixo de onde não deveriam ter saído, pois fizeram o que a direita tentou durante toda a história: desmoralizar a esquerda. O problema é que quem vai sair fortalecido desta história não será o povo, muito menos a democracia: serão os Sarneys, os Delfins e diversos etc do mesmo jaez. E estes são inteligentes, infelizmente. Não basta impeachment: cadeia neles! Mas isso não acontecerá: os que os sucederão não vão abrir um precedente onde eles mesmos deveriam ser incluídos.
Perguntamos ao grande Ronald Golias o que ele acha do PT no governo; afinal, para analisar uma piada ninguém melhor que ele. Mas mostrou-se estranhamente sério:
-Parece evidente que Lula queria montar uma estrutura baseada em Chavez da Venezuela. Acabou parecendo com o Chaves do SBT.

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posted by Ricardo Dias 4.11.05


17.8.05

 
Essa, nem o Collor. Manifestação em Brasília com o que há de melhor no peleguismo. Várias entidades - todas devidamente aquinhoadas com verbas federais - foram lá dar seu apoio ao nosso empregado, o ex-presidente Lulla. Algumas pessoas se declararam chocadas com a atitude da UNE; este cronista confessa que não. É só lembrar do impeachment de Collor e ver onde estão as lideranças estudantis da época: a que mais se sobressaiu de lá p'ra cá foi Lindbergh...
Estudante sempre foi massa de manobra fácil dos pecês da vida, era só dizer: vamos protestar, que eles estavam lá. Vamos quebrar, eles quebravam; vamos pichar, eles pichavam. Inocentes úteis, sim, mas com uma certa pureza, uma coisa boa, uma inquietação que levava à luta, eventualmente sem nem saber o porquê. Até isso o PT corrompeu. Primeiro eles tentaram calar a imprensa com aquela ridícula lei. Em seguida, esdrúxulos critérios de incentivo ao audiovisual, depois a Lei da Mordaça no Judiciário, compra de deputados, e, pelo que vemos agora, compra até dos estudantes - o MST já havia sido comprado tempos antes, não conta. Toda uma estrutura de permanência no poder, mas evidentemente Lulla de nada sabia. É apenas um títere, um pobre coitado, um carismático mantido satisfeitinho com seus charutos cubanos, scotchs, aviõezinhos, e retirado da cristaleira para as grandes ocasiões, prometendo um futuro melhor, que viria sabe Deus como. E toneladas de dinheiro em assistencialismo de quinta categoria, e nada para resolver os problemas tantos. Há dinheiro para esmolas, mas não para um salário digno. Há para o FMI, há espaço para os bancos terem os maiores lucros da história, mas se baixarmos a taxa de juros e incentivarmos a produção haverá o caos. Já imaginaram? Poderá haver produção neste país e as pessoas perceberem que a única coisa que gera dinheiro de verdade é isto: produção. Papel gera papel, este modelo que aí está gera apenas papel e mais papel, lastreado na desgraça de muitos, todo ele em poucos bolsos.
O que estes imbecis não perceberam é que, ao tentar se perpetuar no poder, levaram desesperança a milhões. Numa nação como a nossa, em que um voto vale um par de sapatos - valia, hoje vale um prato de comida ou menos - isso é a munição que a direita mais deseja, ela quer que o povo pense que isto que aí está é a esquerda. Não é não, povo, não é não. Isso é o que há de pior na raça humana, é a desonestidade e a burrice em embalagem para viagem, a combinação mais perigosa que há. É preciso acreditar que existe espaço para um mundo melhor, existe espaço para a esperança. Não com este PT, não com Lulla, e certamente não com Sarney, não com Bolsonaro, não com FHC, não com Delfim Netto, não com Roberto Jefferson.
Com quem? Não sei. Mas já sabemos com quem não será, e isso é um grande passo.
Encontrei Nelson Rodrigues na vídeo locadora. Comentei a sua dele frase: "as coisas não vão mudar enquanto a esquerda não se unir até o último idiota", perguntando onde isso se aplica ao quadro atual, como as manifestações em Brasília. Ele olhou-me com olhos rútilos, e do canto de sua boca saía uma fina baba, bovina e elástica, provavelmente veneno:
-Prefiro outra frase, meu filho: Dinheiro compra tudo, compra até amor sincero.

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posted by Ricardo Dias 17.8.05


15.8.05

 
Hoje assisti ao Fantástico com um pouquinho mais de atenção. Algumas coisas me impressionaram, se fosse um pouquinho mais velho diria "sobremaneira". Como não o sou, retorno ao vernáculo compatível com minha tenra idade. Pois dizia que assisti ao hebdomadário televisivo, e me espantei. MUITO! Primeiro, com a excepcional matéria assinada por Regina Casé, com crianças de diversas classes sociais comentando sobre as coisas que temem. As de classe média temem as do morro; as do morro, a polícia. Bicho papão passou a ser sonho de consumo, lembrança de uma época em que medo tinha que ser inventado. O estado daquelas crianças me fez pensar na escumalha que nos governa, única responsável pelo que está aí. Desde sempre nossas elites são o que temos de pior, e, curiosamente, quem sai do seio dos sans culotte acaba virando um sans honte maior que os tradicionais.
Falando nisso, o blog do Noblat (www.noblat.com.br) nos brinda com uma entrevista de Millôr ao Estadão (ou será à Folha?). Ler Millôr é sempre educativo, o homem sabe o que diz. Se um dia nos incitar a comer cocô, não terei dúvidas: não comerei, mas aconselharei todos os meus amigos a fazê-lo (e sou feliz: tenho um autógrafo dele!)! Pois nos diz que também passou fome, como nosso presidente, e perdeu os pais muito jovem, mas tão logo pôde foi estudar - pagando do próprio bolso. E nosso empregado, o ex-presidente Lula, passou os últimos 10 anos sem fazer rigorosamente nada, podia ter se preparado um pouquinho. Afinal, se lesse, não precisaria confiar nas informações dos amigos. "Quem não lê, mal ouve, mal fala e mal vê", já dizia o anúncio de uma editora no centro do Rio. E ele, decididamente, não lê. Lesse antes, talvez não ouvisse o que anda ouvindo hoje.
Ainda no Fantástico, ainda sobre governos, acabo de descobrir que o intelectualíssimo José Sarney - que escreve, mas duvido que leia - declarou semana passada que o governo militar pretendia fazer uma bomba atômica. Uma pergunta respeitosa: o que diabos José Ribamar tem na cabeça? Depois do que Bush andou falando, ele tem a pachorra de dizer essa imbecilidade em rede nacional? Onde estão os fiscais do Sarney que não fiscalizam o que sai dessa boquinha santa? Quando a sua dele filha foi pega com uma grana suspeita no comitê de campanha, ficou calado, podia continuar assim. Sem contar que não havia nem há tecnologia para isso, urânio enriquecido aqui só se abrir uma offshore. Mas vá explicar isso para os Marines quando eles chegarem...
Fui ao enterro do grande Francisco Milani e lá encontrei Carlos Frederico Werneck de Lacerda. Achei estranho vê-lo no enterro de um comunista, ao que me lembrou que ele mesmo, na juventude, havia pertencido ao Partidão. Mas crescera, e tinha tomado outros rumos. E Milani?
-O Milani era um gênio, não cresceu nunca. Pena que uns e outros não seguiram seu exemplo e cresceram...


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posted by Ricardo Dias 15.8.05


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